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berco antigo

Berço de geração para geração

Os berços como herança de família

Muito antes de temas como reciclagem e reaproveitamento se tornarem tendências, famílias de todos os tipos mantêm a tradição de passarem o berço de geração para geração.  Este móvel, criado especialmente para crianças, nasceu no Egito e permaneceu restrito aos faraós, reis e rainhas durante muitos anos. Nestes tempos, populações da Europa e América ainda utilizavam os cestos produzidos em fibra vegetal para aconchegarem seus bebês.

Atualmente, por questões emocionais ou econômicas, muitas mamães têm guardado e aproveitado o berço dos filhos mais velhos, primos e até amigos próximos. Essa possibilidade está cada vez mais em alta, principalmente com a disponibilidade de diversas opções simples para modernizar ou reformar o mobiliário, sempre de acordo com a decoração do quarto de bebê.

Essa é exatamente a linda história da mamãe do Pedro (9) e da Estela (3), Marília Viana Souza (33), de Santana de Parnaíba, que herdou o berço de balanço dos anos 40 que está na família há 71 anos. Sua avó, Rita Pires Miranda, comprou o móvel em Itatinga, no estado de São Paulo, onde o primeiro filho nasceu. Depois disso, usou o móvel para os doze filhos, já na cidade de Salto Grande. Em seguida, o bercinho de madeira passou para oito netos da dona Rita, primos da Marília.

“A filha da minha prima também usou e finalmente veio para os meus filhos. Eu sempre gostei de antiguidade e falava que gostaria que ficasse comigo. Como minhas primas mais velhas não se interessaram muito, acabei herdando o berço e um guarda-roupas que minha avó ganhou do meu avô quando eles casaram”. Marília conta orgulhosa do presente: “É um bercinho pequeno de balanço, que dá para usar até uns oito meses. Pintamos de acordo com a decoração do quarto da minha filha Estela, que ficou bem retro já que também usei o armário.”

berco 71 anosarmario

Mesmo tendo muito carinho pela peça, Marília não ficou apegada e o berço não parou por aí. Atualmente, está emprestado para a amiga Aldrey Lodi, que participa de um Grupo De Mães de uma rede social e deixou o móvel branquinho. Marília não se importa com a reforma, mas nada de vender: “Uma amiga da Aldrey até quis comprar, mas não tem preço! Vou guardar para outras amigas e para os netos.”

berco 71 anos branco

Mesmo as histórias mais recentes mostram que essa tradição não vai se perder. Em Santos, no estado de São Paulo, a mamãe do Miguel (1), Andressa Luzirão, foi a quarta da família a utilizar o bercinho branco que acolheu os outros três primos. O primeiro dono foi Leonardo, atualmente com dez anos, depois o Lucas, de sete, e a Isabela, uma mocinha de cinco anos. “No início, a intenção era reformar o móvel e talvez tentar um trabalho de pátina para envelhecê-lo, mas os meses passaram rápido e acabamos só retirando os adesivos, colados pelos sobrinhos mais novos, e fazendo uma cuidadosa higienização”, contou Andressa, de trinta e cinco anos.

Há famílias que preferem manter o bercinho original, pois adoram a beleza de sua história, como é o caso da Pia Infantozzi, de São Paulo, mamãe da Pietra (8) e da Giulia (1), que ganhou o berço que foi da irmã Maria Clara (20) e também foi usado pela prima Isabela. O modelo de madeira maciça foi feito por um marceneiro a pedido da esposa do pai dela e se manteve com a cor original durante estes vinte anos.

berco 20 anos

Se você é uma mamãe jeitosa para reformas do tipo “Faça Você Mesma”, não faltam dicas na internet para arregaçar as mangas e deixar aquele bercinho herdado de família do jeitinho que você sonhou. Abuse da sua criatividade, mas não se esqueça de conferir os materiais indicados para este trabalho. Afinal, bebês adoram morder a estrutura do berço, por isso, certifique-se de que usará tinta ou cola atóxica. Porém, se preferir, basta buscar entre os inúmeros profissionais qualificados do mercado para confiar essa repaginada tão importante.

Não existe prazo de validade para móveis. No entanto, o bom senso dos pais é imprescindível nesta hora, visto que berços fabricados há muitos anos podem estar fora do padrão de segurança atual. O importante é verificar as condições do produto, checando, por exemplo, se existem fiapos de madeira, tinta desbotando ou parafusos frouxos.

Um dos mobiliários infantis mais famosos da história é o Berço do Rei de Roma, fabricado por Odiot e Thomire, em Paris, no ano de 1811, para presentear o filho de Napoleão Bonaparte.  Feito com placas de ouro, pérolas, placas de cobre e forrado com seda, veludo e tule. Nos tecidos, há bordados de ouro e prata. Além disso, anjos sustentam um pequeno dossel sobre a cabeça e uma águia repousa ao pé do berço. Os lados do móvel são decorados com abelhas, um símbolo do império napoleônico. No mesmo ano, foi criada uma versão simplificada em mogno e bronze para outro palácio.

berço do rei de roma

Berço do Rei de Roma, fabricado por Odiot e Thomire

 

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Versão simplificada do berço do Rei de Roma

Os gregos também criaram peças de mobiliário infantil, já sintonizados com a necessidade e funcionalidade de cada item. Em meados do século V a. C, já haviam produzido uma cadeira para a alimentação dos bebês. Com o passar dos séculos, a industrialização conduziu à produção em série dos móveis, inclusive de artigos para crianças, possibilitando que um número maior de pessoas tivesse acesso a bens de consumo por um custo mais acessível.

 

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